
É como são chamados na África, os contadores de histórias. Eles são considerados sábios muito importantes e respeitados na comunidade onde vivem. Através de suas narrativas, eles passam de geração a geração as tradições de seus povos. Nas aldeias africanas era de costume sentar-se à sombra das árvores ou em volta de uma fogueira para ali passar horas e horas a fio ouvindo histórias do fantástico mundo africano transmitidas por "este velhos griôts”.
Termo do vocabulário franco-africano criado na época colonial
para designar o narrador, cantor, cronista e genealogista que, pela tradição
oral, transmite a história de personagens e famílias importantes
para as quais, em geral, está a serviço. Presente, sobretudo
na África ocidental, notadamente onde se desenvolveram os faustosos
impérios medievais africanos (Gana, Mali, Songai etc.), recebe denominações
variadas, dyéli ou diali, entre os Bambaras e Mandingas, guésséré
entre os Saracolês, wambabé, entre os Peúles, aoulombé,
entre os Tucolores , e guéwel, (do árabe qawwal) entre os
Uolofes.
(Diáspora Africana - Ney Lopes)
O Mali possui, provavelmente, uma das mais ricas e antigas tradições
musicais do mundo. Uma história com mais de mil anos de existência.
É apenas no Séc. XIII que os músicos ganham um estatuto
especial ao tocarem para o primeiro imperador do Mali, o rei caçador
Soundjata Keita.
Desde há 700 anos até hoje, os músicos de etnia Mandinga
- da qual faz parte o rei fundador Keita – tem cantado a história
do país e das notáveis personalidades que o compõem.
Estes músicos de apelido Kouyaté, Diabaté e Sissoko
são considerados Griôts (artistas nascidos em berço
musical com um destino profissional traçado no código genético:
animar a corte com canções épicas e de louvor acerca
de actos heroícos dos guerreiros e caçadores ancestrais).
Descendente do rei que fundou o maior império da África Ocidental
até ao Século XV, Salif Keita tornou-se na década de 80
uma figura incontornável da música Africana e principal embaixador
do Mali em França. O nobre Salif Keita notabilizou-se pela fusão
entre a música tradicional da etnia Mandinga e a pop européia.
O seu percurso artístico não foi fácil. Ao nascer albino,
Salif enfrentou a ira dos supersticiosos (ser albino no Mali, além
de significar má sorte, pode ser causa de assassinato). Como se isso
não bastasse, a família Keita não aprovou o facto de
Salif ter-se tornado músico, pela simples razão de esta actividade
estar confinada aos Griôts, também conhecidos por Jelis. A
música é uma profissão que se encontra hierarquicamente
abaixo das actividades de professor e diplomata que Salif Keita teria necessariamente
de abraçar.
Se na Europa Salif Keita é um símbolo maior do afro-pop, no
Mali notabilizou-se por ser um dos primeiros a contrariar a organização
social vigente mostrando que um músico no Mali não tem necessariamente
de nascer em famílias Griôts.
Sotigui surpreendeu na sua aula-espetáculo, domingo, no Teatro Carlos Gomes, aqueles que esperavam uma aula de Shakespeare (Bárbara lhe adora e não poupa elogios ao Prospero de A Tempestade) ou sobre o método de Brook, ou ainda da sua brilhante carreira como ator. No cinema trabalhou com Bertolucci, entre outros importantes diretores, tendo sido premiado em Cannes. É ainda diretor (dirigiu “Antígona” de Sofocles), cantor, compositor (fez trilhas sonoras de vários filmes), coreógrafo,cenógrafo e dramaturgo. Não bastasse isso tudo, trabalha com Peter Brook há mais de vinte anos atuando nas suas principais peças e filmes.
Durante quase duas horas sentado no palco do Carlos Gomes falou simplesmente das tradições africanas e da importância fundamental da civilização africana para o mundo hoje. Disse ele: "No Brasil, me sinto em casa, eu sou brasileiro, a cultura nos aproxima".
A sua explanação foi entremeada por dois vídeos: um deles sobre alguns trabalhos com Brook e o outro tratava-se de uma belíssima cerimônia religiosa de quando os mortos dos seus antepassados - os griôts Kouyaté - são lembrados e reverenciados. É uma cerimônia belíssima com cantos e dança e à medida que vão sendo mostrados ficam evidentes as similitudes culturais. No final, contou três contos de gênio.
SOTIGUI deu uma aula de simplicidade e de sabedoria. Simplesmente isso. E fiquei com duas frases que gravei na memória: “Cada dia descobrir o melhor de si mesmo no encontro com os outros” e a outra: “O mais difícil neste mundo é o conhecimento de si mesmo”.
a) "Lá nos sertões da África entre aldeias distantes circulam homens aprendendo e ensinando fatos históricos e culturais daquela região. Estes homens em Yoruba são conhecidos como Griôts. Quando os Griôts chegam nas aldeias, os pais afinam os tambores, as mães vestem as roupas mais bonitas e as crianças sentam na roda. E está aberto o ritual do Contador de Histórias"
b) Os griôts ainda hoje funcionam como artistas, historiadores, contadores de histórias, artistas ambulantes, genealogistas e jornalistas. Eles vão de um lugar ao outro levando e trazendo notícias, contando histórias, cantando músicas. No passado, quando um griôt morria, a comunidade onde ocorria a morte abria o tronco de um baobá — como se sabe, uma árvore imensa - e ali dentro colocavam o corpo do griôt. (Ver mais informação em Thomas Hale “Griots and Griottes, Indiana University Press, 1998.) Talvez a comunidade quisesse, assim, preservar o fato de que o griot tinha tanta importância que deveria continuar” vivendo “ dentro do organismo vivo que é a árvore. Mas talvez, o que este costume revele é aquilo que cada um de nós sabemos: a morte nos fascina, nos amedronta e nos lembra, a cada momento, que ela existe e que faz parte da vida.
c) “Uma viagem livresca no tempo permite perceber, ainda,que todos os aparatos tecnológicos assumidos pelo livro existem na era da informática”. Pensemos nos griôts: os guerreiros cantadores que viajam a pé de uma tribo a outra em algumas regiões da África ocidental, como bambara e malinke. O predomínio quase total da oralidade e a ausência de livros não impedem que as palavras caminhem no corpo dos guerreiros, dando permanência à cultura dessa gente. Tatuadas no aparato de escrita mais atrativo do mundo a própria pelo as palavras caminham e contam historias das tribos, genealogia, magia , ritos ; Exibem mapas geográficos de canções ideogramas com avisos de guerra , enquanto isso no continente ao lado a comunicação se da via satélite.”
d) Na tatuagem secreta dos homens-leões e das mulheres
-elefantes as anti gas sabedorias dos povos africanos vêm sendo contadas
de boca em boca por sucessivas gerações, ensinadas com lições
de vida ou cantadas em praça pública pelos griôts (músicos
e poetas da África ocidental que conservam e transmitem a memória).
As histórias que constituem a literatura oral das diversas nações
africanas, guardadas no imaginário dos homens e mulheres , percorrem
as diferentes paisagens que formam o continente.
São histórias de caçadores e agricultores, bruxas e
feiticeiros, reis e princesas, de heróis que atravessam a mata para
cumprir seus destinos, de fundações míticas e de cidades.
São também histórias de pequenas ou grandes disputas
entre marido e mulher, histórias de amor , e, lendas de comunhão
com os segredos da natureza e da terra.
“Contos e lendas da África” traz dezessete dessas histórias
acompanhadas de um mapa e um glossário de palavras africanas.”
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