
Esta história é do tempo em que o porco morava com o dentuço
do seu tio, o javali, lá no meio da mata africana.
Os dois passavam as manhãs, alegres e despreocupados, fuçando
o chão em busca de frutas e raízes. À tardinha, depois
de ficarem horas e horas se banhando e chafurdando na águas dos inumeráveis
rios que cortam a profundeza da selva, regressavam à casa, situada
no oco de uma árvore muito velha, para tirarem uma longa soneca.
O javali adorava a vida ao ar livre. Graças aos seus pontiagudos
e afiados dentes, não era incomodado, nem mesmo pelo poderoso rei
da selva: o leão, que o tratava com todo respeito.
Mas o porco, muito preguiçoso, vivia reclamando de tudo. Um dia,
ele chegou perto do tio e anunciou:
- Eu quero morar na aldeia dos homens.
- O quê?- respondeu o surpreso javali. – As pessoas que moram
naquelas estranhas cabanas cobertas de palha não gostam de bichos.
Vão te prender. – avisou.
- Estou cansado de comer só frutas e raízes todos os dias
- protestou o porco.
- Não faça isso, sobrinho pediu o javali. – Aqui nós
vivemos em liberdade e junto à natureza - aconselhou o mais velho.
O porco, que vivia sonhando saborear as guloseimas dos caldeirões
fumegantes das mulheres, não deu ouvidos às advertências
do tio e partiu no dia seguinte.
A viagem até a aldeia dos homens foi longa, penosa e cheia de perigos.
Mas o guloso, farejando a comida no ar, acabou chegando a um grande povoado.
As crianças do vilarejo, assim que avistaram o animal, foram correndo
chamar os adultos. Os homens, armados de paus e porretes, pegaram o pobre
do porco e o colocaram dentro de um cercado.
Desde esse dia ele vive preso no chiqueiro comendo restos de comida e, lamentando
a sua sorte, choraminga dia e noite:
- Bem que meu tio disse para eu não vir para a aldeia dos homens.
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