
O Candimba passava a vida a saltar vedações para roubar comida nas lavras e, por causa disso era sempre perseguido pelas pessoas e pelos cães.
Raro era o dia em que se não ouvissem gritos.
– Agarra, agarra que aí vai o Candimba!
O rato do mato, desconhecendo a razão de tudo aquilo, perguntou-lhe certo dia:
– Ouve lá, ó Candimba, que é que se passa contigo? Oiço sempre gritar pelo teu nome! Andas metido nalguma maca?
O Candimba, na sua esperteza, para não ser conhecido como gatuno das lavras, respondeu:
– Então não sabes o que se passa? Olha, olha, aquele barulho é da hiena que vive numa jaula, no quintal da minha vizinha Helena.
– Será mesmo? - estranhou o rato do mato.
– É mesmo! Se quiseres ter a certeza do que te digo, vai até à minha casa e logo verás se é verdade ou não.
O rato do mato, cheio de curiosidade, foi lá ter no dia seguinte.
O Candimba disse-lhe:
– Senta-te atrás deste morro de salalé e espera por mim. Eu vou chamar a Helena para ela te mostrar a jaula com a hiena lá dentro.
O rato do mato, convencido pelas palavras do amigo, ficou à espera.
O Candimba como de costume foi assaltar as lavras. Ele conseguiu roubar um abacaxi da lavra da Xana. Mas, nesse dia, andavam caçadores muito perto e, mal o Candimba saltou a vedação e roubou o abacaxi, viu um grupo de caçadores com lebres e perdizes penduradas no cinto.
Os cães correram logo atrás dele, a latir, e os homens perseguiram-nos com paus e com pedras a chover de todos os lados.
O Candimba, que era bom na corrida, em poucos minutos chegou à sua toca, muito assustado.
O rato do mato, ao vê-lo aflito, perguntou-lhe:
– Afinal que se passa? Donde vens tão atrapalhado?
– Atrapalhado o quê? Venho a correr para te avisar que a hiena da Helena já comeu hoje metade de um hipopótamo e ainda está cheio de fome. É melhor fugires.
Fonte: Odisséia 2000
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